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Artigos · Chamadas de vídeo

Por que o Teams e o Zoom travam mesmo com internet boa

O teste de velocidade dá 300 megas e a chamada congela. A causa quase nunca é a velocidade. Veja o que realmente derruba as chamadas e como descobrir.

Por Wagner · Tech Wan · 17 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

O teste de velocidade mostra 300 megas, mas a chamada no Teams congela, a voz fica robotizada e a pessoa do outro lado pergunta "você está me ouvindo?". Parece contraditório, mas é muito comum. E quase nunca a causa é a velocidade.

Chamada de vídeo não precisa de muita velocidade

Uma chamada de vídeo usa poucos megabits por segundo, bem menos do que qualquer link de empresa entrega hoje. O que ela precisa é de regularidade: os pacotes de áudio e vídeo têm que chegar rápido, sem falhar e em ritmo constante. Um download pode esperar meio segundo. Uma frase no meio da chamada, não.

Por isso, três medidas importam muito mais que a velocidade:

MedidaO que éReferência para chamadas
LatênciaTempo de ida e volta de um pacote.Abaixo de 100 ms
Perda de pacotesPacotes que se perdem no caminho.Abaixo de 1%
JitterO quanto a latência varia de um pacote para o outro.Abaixo de 30 ms

Os valores são as referências que a Microsoft publica para o Teams, no trecho entre o computador e a rede dela. O Zoom e o Google Meet pedem números parecidos.

O teste de velocidade comum não mostra nenhuma dessas três medidas durante a chamada. Ele mede a capacidade do link por alguns segundos e só.

As causas mais comuns

1. Wi-Fi

É a causa número um. No Wi-Fi, pacotes se perdem e precisam ser reenviados o tempo todo. Para um download isso é invisível. Para uma chamada, cada reenvio é um atraso. Os culpados de sempre: sinal fraco, faixa de 2,4 GHz congestionada e muita gente no mesmo access point.

Teste: faça a mesma chamada com o notebook no cabo. Se melhorar, o problema é o Wi-Fi. O artigo Wi-Fi 2,4 GHz, 5 GHz ou 6 GHz ajuda a corrigir.

Andar com o notebook durante a chamada também pesa: a troca de um access point para outro pode congelar a imagem por alguns segundos se a rede não estiver configurada para essa transição.

2. Link ocupado na hora da chamada

Quando alguém envia arquivos grandes, quando o backup sobe para a nuvem ou quando o OneDrive sincroniza uma pasta inteira, o envio (upload) do link fica cheio. Os pacotes da chamada entram na fila atrás de tudo isso, e a latência dispara.

Muitos roteadores têm filas grandes demais, o que piora o efeito: o link não perde pacotes, mas atrasa todos. Teste: deixe um ping rodando para 8.8.8.8 e, ao mesmo tempo, faça um teste de velocidade. Se o ping sobe de 10 para 200 ou 300 ms durante o teste, o roteador está segurando fila demais, e qualquer upload pesado vai atrapalhar as chamadas.

Solução: agendar backups fora do horário, limitar a banda da sincronização e configurar prioridade (QoS) para o tráfego de voz e vídeo no roteador.

3. VPN levando a chamada para longe

Em muitas empresas, quem trabalha de casa se conecta por VPN, e todo o tráfego passa pela matriz antes de ir para a internet, inclusive o Teams. A chamada faz um desvio desnecessário e herda os problemas do link da matriz.

A própria Microsoft recomenda que o tráfego do Teams saia direto para a internet, sem passar pela VPN (o chamado split tunneling). Vale conversar com quem administra a VPN.

4. Problema na operadora

Perda ou variação de latência no link da operadora afeta as chamadas antes de qualquer outra coisa. O sinal típico é a empresa inteira reclamar ao mesmo tempo, nos mesmos horários. Os testes do artigo Internet lenta na empresa e a leitura de um teste de MTR mostram se o problema está lá.

5. O próprio computador

Processador no limite, pouca memória ou disco ocupado também derrubam a chamada: o computador não dá conta de codificar o vídeo a tempo. Abra o Gerenciador de Tarefas durante a chamada. Se o processador está perto de 100%, o problema não é a rede.

Fones Bluetooth são outro suspeito: em alguns notebooks, eles usam o mesmo rádio do Wi-Fi de 2,4 GHz e disputam espaço com ele.

A nota de qualidade da chamada (MOS)

Existe uma forma padronizada de juntar latência, perda e jitter numa nota só: o MOS, que vai de 1 a 5. Acima de 4 é uma chamada boa. Abaixo de 3,5, as pessoas começam a reclamar. Ferramentas de monitoramento calculam essa nota continuamente e mostram em quais horários e em quais computadores a qualidade cai.

Roteiro rápido

  1. No cabo melhora? Então é o Wi-Fi.
  2. Piora quando alguém envia arquivos ou o backup roda? Então é o link ocupado. Ajuste os horários e configure prioridade (QoS).
  3. Só piora para quem está na VPN? Então tire o Teams da VPN.
  4. A empresa toda sofre nos mesmos horários? Então investigue a operadora.
  5. O processador está no limite durante a chamada? Então é o computador.
Wagner

À frente da Tech Wan desde 2008, trabalha com redes e Wi-Fi de empresas e criou o NetMonitor.

Veja a qualidade das chamadas de cada computador

O NetMonitor mede latência, perda e jitter de dentro de cada computador, calcula a nota de qualidade de chamada (MOS) e mostra em quais horários e em quais máquinas ela cai, e por quê.