"Compra um roteador mais forte" é a solução mais comum para Wi-Fi ruim no escritório, e quase nunca funciona. Um aparelho potente faz o sinal chegar mais longe, mas o notebook precisa responder de volta, com uma antena muito mais fraca. E um único aparelho continua dividindo o tempo de transmissão entre todo mundo.
O que resolve é ter access points suficientes, nos lugares certos. Este artigo mostra como fazer essa conta.
Duas contas: cobertura e capacidade
O número de access points depende de duas perguntas diferentes. A resposta é a maior das duas.
- Cobertura: quantos access points são necessários para o sinal chegar bem em todos os lugares?
- Capacidade: quantos são necessários para atender todos os aparelhos ao mesmo tempo, sem lentidão?
Um escritório pequeno com muita gente precisa de mais access points por capacidade. Um galpão grande com pouca gente precisa de mais por cobertura.
A conta da capacidade
Comece contando aparelhos, não pessoas. Hoje cada pessoa tem pelo menos um notebook e um celular, muitas vezes também um tablet ou um relógio. Some impressoras, TVs de sala de reunião e outros equipamentos sem fio.
Um ponto de partida comum para escritório é planejar algo como 20 a 30 aparelhos em uso ao mesmo tempo por access point. Ambientes com muitas chamadas de vídeo pedem a ponta de baixo. Ambientes de uso leve aguentam mais.
Um escritório com 40 pessoas, cada uma com notebook e celular, mais 10 outros equipamentos: são cerca de 90 aparelhos. Com 25 por access point, a conta dá 4 access points por capacidade.
Salas de reunião, auditórios e refeitórios merecem conta própria. Elas juntam muita gente num lugar só, por pouco tempo, e costumam precisar de um access point exclusivo.
A conta da cobertura
Aqui as regras práticas são mais imprecisas, porque tudo depende do prédio. Em escritório aberto, sem paredes, um access point costuma cobrir bem algo entre 100 e 250 metros quadrados. Paredes de alvenaria, divisórias com metal, vidros especiais, armários de aço e lajes reduzem bastante essa área.
A meta é ter sinal de pelo menos -67 dBm em todos os lugares onde as pessoas trabalham, que é o nível recomendado para chamadas de voz e vídeo. Na faixa de 5 GHz, que é a que você quer para notebooks, o alcance é menor do que no 2,4 GHz. Planeje a cobertura pelo 5 GHz.
O jeito confiável de fazer essa conta é uma vistoria com medição: um técnico percorre o local com um aparelho que mede o sinal real, ponto a ponto, e desenha o mapa de cobertura. Para escritórios simples, dá para começar com uma estimativa e medir depois da instalação.
Onde instalar
- No teto, no meio da área atendida. Não dentro do rack, de armário, nem em cima de mesa num canto.
- Longe de metal: estruturas, armários de aço, elevadores e quadros elétricos bloqueiam o sinal.
- Ligado por cabo. Access points ligados à rede por cabo de rede (de preferência com alimentação pelo próprio cabo, o PoE) entregam muito mais que os sistemas "mesh" sem fio, em que o access point usa o próprio Wi-Fi para falar com o outro e perde parte da capacidade nisso.
- Com canais diferentes entre vizinhos e potência moderada, para um não atrapalhar o outro.
Gerenciados juntos
Vários access points funcionam melhor quando são gerenciados como um sistema só, por uma controladora ou por um painel na nuvem do fabricante. Isso permite:
- a mesma rede e a mesma senha em todos;
- troca suave de um access point para outro quando a pessoa anda com o notebook ou o celular;
- ajuste automático de canais e potência;
- ver quantos aparelhos estão em cada access point e qual está sobrecarregado.
Misturar roteadores domésticos de marcas diferentes, cada um com a sua rede, é a receita para quedas quando as pessoas mudam de sala.
Como saber se faltam access points
Alguns sinais de que a rede está subdimensionada:
- O Wi-Fi é bom de manhã cedo e ruim quando todos chegam.
- Uma área específica do escritório sempre reclama.
- As salas de reunião ficam lentas justamente durante as reuniões.
- Os notebooks mostram sinal bom, mas velocidade negociada baixa e muita variação.
Para confirmar, o que vale é medir ao longo do dia: sinal, faixa, access point e velocidade de cada computador, nos horários de pico. Assim você sabe exatamente onde colocar o próximo access point, em vez de trocar tudo.
Para escolher a faixa certa em cada aparelho, veja também Wi-Fi 2,4 GHz, 5 GHz ou 6 GHz: qual usar no escritório.
À frente da Tech Wan desde 2008, trabalha com redes e Wi-Fi de empresas e criou o NetMonitor.
Descubra onde falta Wi-Fi antes de comprar
O NetMonitor registra o sinal, a faixa, o access point e a velocidade de cada computador ao longo do dia e mostra quais access points estão sobrecarregados nos horários de pico.